Êxodo

 Em tudo que olho, o olho estremece, porque ainda olho? Gritar não adianta mais já que sempre acordo.

Toda expectativa que você coloca em mim me mata a cada minuto. Falar nao adianta mais já que sempre pisco.

Atordoado de tanto problema, a dor da vida que ninguém nunca me falou o tamanho que era. E nem adianta falar que cada um com seus problemas, ja que quando olho, o meu assusta até o diabo.

E a tempestade volta, com tudo, destruindo tudo, assim como eu, não deixo nada de pé, acabo com tudo e não adianta fugir, eu sempre vou voltar pra olhar, falar, te apresentar a dor e voltar ao mar.

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Forças

 Força em levantar todos os dias, a força que me falaram que eu tenho depois de passar tudo o que eu passei. Ou uma força pra levantar uma pedra eterna que vive sob minhas costas?

Hoje a corda esta mais longa, mas me impede ainda em desejar estica-la. Dai-me forças para não desistir. Mas pedir isso pra quem? 

São sonhos reais, são pensamentos irreais que acordo em perceber que as vezes nada deu certo. Ligo pra ti e vejo que foi a coisa mais acertada que fiz, você.  E preciso acreditar que vou conseguir e te lendo agora, me deu uma certa força, por hora.

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Dois, seis e dezenove

 Eu não sei como te pedir por desistir dessa forma. Um beijo para nos despedirmos? É pedir muito? 

Ficamos Unidos pela alma, um aquecendo, outro esfriando, um vice e versa. Versões diferentes da mesma pessoa. 

O dia que renasci pra mim mesmo foi o mesmo dia que morri para muita gente. Em uma linha reta vi o final da nossa música. A gritaria me faz refletir o quanto é tão simples o desapego de terra.

Em terra eu não sei como posso renegar a natureza de respirar, mas preciso apagar essa imagem que criaram. Deixei por muito tempo a visão fosca. E nem quero mais essa visão.

Me perdoe, juro que não é sobre desistir, é sobre não aguentar mais. A solidão mata aos poucos, então pense que não fui eu, nunca fui eu quem quis. E sozinho te entrego meu beijo, desde sempre, para sempre.

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A voz que vem de mim

 Ecos de uma sala sem nada. O destino de uma gota d'água que escorre até a parede, aquela parede onde não tem nada.

Separado de tudo, disse que um dia o silêncio era natural, que eu iria acostumar. Hoje me tiraram tudo, em minhas mãos eu não consigo acreditar que até mesmo o que eu não tinha perdi.

Uma vez falei que sempre ímpar e nunca par, mas eu nem quero mais ficar sozinho aqui. Mal sabiam eles que o futuro seria tão sombrio onde não há uma mão, para estender, para de levantar. Espancar sim, serve.

Olha bem onde pisa, cada chão diz exatamente para onde queremos ir. Local que voce quer estar? Alguns sim, hoje eu queria só alguém pra me escutar, alguém pra me fazer companhia e dizer que que me ama e não mais meu eu, meu eco.

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Deitado

 Esperando o teto me responder. Barricadas de esperança. Sou feito da brisa do mar, e mesmo tendo ele perto, não quero o ver. Não por mim, por conta do teto.

As balas que passaram por mim e não me atingiram, fingiram que queriam me perfurar, mentiram, sou feito de areia, nada pode me ferir, ao mesmo tempo, esfarelo nas suas mãos.

Se esse mar não fosse calmo, eu já seria seu rodamoinho, a fúria em forma de espuma da morte, mas o teto afirma que não devo sair dali.

Tudo bem, aceitei que sou pior que o mal que causa a bílis em você. Mas olhando para esse teto, percebo o sono vindo, porque como dizia minha vó: é só ficar quieto, que o sono vem. 

Eu só não consigo dormir nunca.

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Por quem?

 Olhando para todos os lados e a vontade de chorar toma conta de mim. Todos os dias os mesmos cenários, se chover, se fizer sol nada vai mudar pra mim. Já tentei colocar um objetivo, ja tentei culpar alguém pela minha insistência em viver, mas não é assim.

Tem dias que até estou bem, lembrando o que é respirar, hoje por exemplo eu só queria esquecer como é acordar.

Toca o interfone e já fico atento, vejo os holofotes e tenho a certeza em que aquele chute vai vir, mais forte dessa vez. Mas vejo que a maior dor vem de longe.

E olhando para a janela, em todos os lados há movimentos, menos pra mim, vai ver é destino, pesadelo ou só um dia. Infelizmente, não acredito em nada disso.

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Espetacular mundo mostrado em uma tela

 Sempre é um evento ver um ser jogado no chão, cheio de sangue, agonizando pela vida. Há câmeras filmando por todos os lados e o que fazer? Todo mundo fica perto, um círculo se forma, tão rápido que nem tem ar mais para esse ser.

Preciso parar de olhar, o sangue é tanto que ja desvia dos pés dos populares. Nem nos meus sonhos poderia imaginar que isso poderia estar acontecendo, ali, na minha frente.

A alegria é de que aquele evento não terminasse, mas pra mim, tinha que acabar logo, afinal, sou eu no chão, pedindo pra ir embora dali. 

Estão felizes? Postem! Curtam, compartilhe mais uma dor, nunca a de vocês, hoje é a minha desgraça. Que viralize de uma forma que durará segundos preciosos.

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